O importante é tentar

Sempre tive facilidade para aprender outras línguas. Desde cedo tive contato com inglês no colégio e a cada dia, temos mais contato com seriados, filmes e internet. Em outra escola, também estudei um pouco de francês. Fiz um curso intensivo, mas rápido de espanhol. Na faculdade, fiz uma disciplina de fundamentos de alemão.

As pessoas pensam – poxa, que legal que tu sabe tanto… Mas não adiantou nada em questões de emprego. Cada dia mais vejo como os entrevistadores e donos de empresa só querem mão-de-obra barata e que faça somente o que é previsto. Inventam essa história de ‘pense fora da caixa’, mas têm medo de pessoas que não sejam previsíveis e obedientes, que façam somente o que são mandados.

No entanto, tive uma excelente oportunidade. Quando comentei que fechei 2014 com chave de ouro, eu não imaginava tanto. Pode não parecer muito, mas convivendo com estrangeiros, tenho aprendido muito. Sobre educação (não confundir com escolaridade), geografia, turismo, gastronomia e claro, falar outras línguas. Compreendo praticamente tudo que falam comigo, mas não consigo falar. Sinto constrangimento, parece que engasgo. Muitas vezes, preciso pensar no que vou falar. Claro que há línguas que não faço a menor ideia do que estão falando, porque não parece com nada que conheço como finlandês, chinês, crioulo francês.

Hoje, aprendi ‘bom dia’ e ‘polegar direito’ em finlandês. ‘Assinar’ em francês. E essas pessoas ficam muito felizes quando tento falar o idioma delas. São simpáticas, falam devagar e repetem para que eu possa aprender a pronunciar. Até agora, os alemães são o povo que foram mais queridos e me incentivaram muito a tentar falar mesmo com a pronúncia errada. Eles entendem que é uma gentileza minha tentar entendê-los e simpático por não tratá-los como apenas mais um estrangeiro que vem pro meu país e não sabe falar português direito. Mas afinal: quem de nós fala e escreve bem português?

Fico muito surpresa quando vejo pessoas que não falam nada da nossa língua vêm para o Brasil e conseguem se virar. Haitianos são muito gentis, mas nem sempre falam francês. Raramente sabem ler e somente sabem assinar o próprio nome. No início, eu achava que eram uma loucura, como saltar no escuro. Mas agora, penso – se passam por essa dificuldade, imagina o quão pior não deve ser pior a situação lá de onde vieram? Não estou generalizando, apenas constatando pelos poucos que conheci.

Comentei com um rapaz hoje que não conhecia o país dele, Mauritânia. E que nunca havia conhecido ninguém de lá. E ele, que estava bem sério e quieto, porque parecia que falava somente árabe, abriu um sorriso e disse em francês: agora, já conhece um – eu! Rimos e comentei, ah fala francês! E ele – um pouco. Viu? Eu falo um pouquinho, tu fala um pouco e conseguimos nos entender! Perguntou meu nome, disse que foi um prazer me conhecer e agradeceu eu ter tentado falar com ele. Gentileza, humildade e gratidão são coisas que nós, brasileiros, precisamos muito aprender com essas pessoas.

Infelizmente, vejo diariamente, brasileiros dizendo – eles que aprendam português! Eles que se virem, não tenho obrigação de falar a língua deles. Eu só vejo que a arrogância e a prepotência impedem de aprender outra língua e de graça. Além disso, quem sabe se uma dessas pessoas mal recebidas aqui no Brasil não vai te encontrar no país dela e se lembrar que foi rude com ela?

O importante pra mim é que estou cada vez mais confiante em falar outros idiomas. Estou aprendendo e perdendo o medo de errar. Até agora ninguém reclamou do que mais me envergonho: pronúncia errada.

Que continue daqui pra melhor! Salve 2015 abençoado!

Um excelente 2015 para todos nós

O ano de 2014 foi muito bom pra mim. Tive várias situações complicadas que acabaram sendo resolvidas melhor do que eu esperava. Paguei dívidas atrasadas, mas consegui descontos muito bons; consegui um estágio num lugar bem legal onde conheço muita gente e, como a maioria é estrangeiro, estou aprendendo várias outras línguas – não é muita coisa, mas já não morro de sede e fome em vários lugares… Consegui voltar para a faculdade, consegui me afastar de pessoas e coisas que só me ‘puxavam para baixo’… Fui passar o Reveillon na praia – adoro tomar banho de mar.

Já o ano de 2015 veio cheio de expectativas. No dia 1º/01/15, consegui tomar meu primeiro banho de mar do ano e a água estava limpinha e com temperatura boa, pouca onda, sem repuxo, sem mãe d’água, sem buraco. Nos outros dias, não pude entrar na água, porque fiquei esperando minhas parcerias e acabou ficando muito tarde e muito frio. Não me arrendo de ter ido para lá, só por ter ficado vários dias com pessoas que eu já sabia que não tinham os hábitos parecidos com os meus.

Me inscrevi para outro vestibular, consegui voltar um dia antes da primeira prova. Mas, quando fui deitar, me incomodei com meu pai e acabei indo dormir sem preparar para a prova – o despertador não tocou. Como era aqui perto, dava tempo de pegar um táxi. Aí, me lembrei que não tinha caneta esfereográfica preta de corpo transparente. Me deu uma dor de barriga – de nervosa provavelmente. Não deu outra, desisti porque não iria dar tempo de chegar… É que quando vamos nos preparar para ir dormir, meu pai vai no banheiro, fica lá meia hora e parece que explodiram uma bomba lá. Só depois de uns 45 minutos fica ‘respirável’… O detalhe é que ele fica acordado de madrugada, vendo tv e vendo não sei o quê no computador. Poderia ir mais tarde, depois que fôssemos dormir. Temos outro banheiro nos fundos, poderia ir lá. Eu queria ter tomado um banho, tinha voltado de viagem da praia, relaxar… Enfim, ano que vem tento de novo. Já o meu pai… Eu decidi que não vou me deixar afetar tanto e tentar realmente me preparar com antecedência.

Mas nem só de coisas ruins ou que não deram certo é feita a vida.
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Pois é, nesse 2015, eu vou. Já comprei moeda estrangeira, já fechei um curso e estadia, consegui comprar as passagens, já fiz o passaporte.

Outra coisa boa: reencontrei o taxista que eu costumava chamar quando trabalhava em outro lugar e ganhava bem ( o suficiente para pagar meu táxi). Pessoa gentilíssima, que até dinheiro me emprestava quando eu não tinha tempo de achar um caixa eletrônico para sacar, que minha mãe fazia questão de dizer pra ele ‘muito obrigada pelo senhor cuidar da minha filha’. É outra coisa tu não precisar ligar pra tele-taxi nem de app – mando um sms e ele chega em minutinhos, sempre de bom humor. Agora, sempre que posso, pego táxi com ele.

As coisas mais complicadas, já comecei 2015 bem – gosto do meu trabalho e consegui minha viagem que venho planejando desde o ano passado.

Um excelente 2015 para todos nós! Muita saúdo, porque do resto a gente corre atrás.